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Semana Internacional da Mulher - Entrevista: Mônica Bernardes |
| Canal Entrevistas
/ Postado em 09/03/2010 às
00:00 por Redação BikeBros |
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Ela é mãe, dentista, simpática e está sempre linda. Como se não bastasse, é também a Campeã Estadual de Mountain Bike XCO 2009 do RJ. Nesta entrevista, Mônica Bernardes nos dá uma aula de jovialidade. Seu sorriso fácil confirma sua grande felicidade por estar envolvida com o MTB, e podemos garantir: nesta Semana Internacional da Mulher, não há homenagem melhor que o BikeBros possa fazer senão mostrar um pouco da vida desta mulher - e ciclista - fantástica e cativante.
BIKEBROS - Mônica, 2009 foi um ano bem corrido pra gente, e ficou claro o início de uma nova fase no RJ. Como foi isso para você?
MONICA BERNARDES - Bem, 2009 realmente foi bem corrido, porque houveram várias competições, com muitas etapas, e nós comprometemos praticamente todos os fins de semana ao longo de todo o ano. Foi cansativo porque tinhamos que nos dedicar muito à todas estas competições, pois valiam pontos, e as indisposições familiares acabavam acontecendo. Além disso, haviam os custos com viagens. Algumas provas eram próximas, e dava pra sair cedinho e voltar no mesmo dia, mas outras exigiam hospedagem em hotéis, e acabou ficando salgado para o bolso.
BB - Então, a grande oferta e diversidade de provas acabou complicando um pouco, não é?
MB - Sim, foi um pouco excessivo. Vimos que muitos atletas não podiam ir a todas as provas, o que favoreceu àqueles que mantiveram regularidade de pódium. Mas foi legal.
BB - Então, estas mudanças para 2010, com a redução do número de provas, foi benéfica?
MB - Eu acho que sim, mas acho também que reduziu demais. Por exemplo, o Estadual do RJ terá uma única etapa, lá em setembro. Por um lado é bom, pois teremos tempo para nos preparar, mas por outro lado, você precisa estar bem. Se pegar uma gripe, ou tiver qualquer imprevisto, já era. Eu gostaria que houvesse, pelo menos, duas ou três etapas, pra ter aquele tira-teima. Três etapas, no máximo, não seria ruim.
BB - Em relação à Categoria Feminina, você sente falta de uma rivalidade, ou disputa, maior?
MB - Sim, realmente, aqui no Rio temos esta carência. As meninas estão descobrindo agora o esporte, e o pessoal "da antiga" já está parando. Apesar de eu ter a mesma idade da Therezinha de Jesus, comecei tarde a competir, e tivemos muitas disputas legais. Mas de repente ela teve problemas de saúde em 2009, e não pudemos continuar a disputar.
BB - Você acha que há ações que a Federação ou os organizadores deveriam tomar para incrementar as participações na Categoria Feminina?
MB - Sim, acho que deveria haver mais campanhas de divulgação para mostrar às meninas que não é difícil pedalar, que é fácil obter bons resultados mesmo com pouca dedicação.
BB - O MTB tem aquela falsa imagem de esporte masculinizado, e de que o ambiente é rude demais para o universo feminino. O que você diria às meninas para mostrar que não é bem assim?
MB - Acho que todas deveriam vir e experimentar. O ambiente é muito familiar, muito divertido. O clima é muito cordial, é uma grande brincadeira. No final, todos vem aqui para se divertir. Todas nós somos muito bem tratadas, não há essa coisa de ambiente masculinizado, pelo contrário. Por sermos mulheres, os meninos nos protegem e são bastante gentis, e nos tratam com "irmãs mais novas". Tenho grandes amigos no MTB, e fui recebida por super-amigos de braços abertos. Tem também aquela coisa da Natureza, da curtição, de conhecer novos lugares, e também da saúde. Gosto muito mais do meu corpo hoje do que há vinte anos atrás. Eu fazia uma academia ocasionalmente, mas hoje, graças a bicicleta, posso usar um shortinho sem medo! Olha que coisa boa! (risos)
BB - Falando agora do seu dia-a-dia, treinos e compromissos caseiros e profissionais. Como você lida com isso?
MB - Bem, quando você começa a tomar gosto pelo esporte, é preciso ser disciplinado e aprender a dividir o tempo. Eu sou dentista odonto-pediatra, trabalho para o Estado, tenho uma fiha de 14 anos e dois cachorros. Tenho que acordar cedo para treinar e ter muita disciplina, pois preciso me dedicar à várias coisas com tempo escasso. Moro perto de duas boas subidas de asfalto, e treino nelas. Semanalmente, vamos para a Rio-Teresópolis e pedalamos na serra ou no plano. A grande dificuldade que tenho é de acordar cedo, mas se não saio para pedalar fico chateada e me sentindo mal. Na volta para casa, fico agradecida e muito feliz por ter saído. O principal de tudo é ter disciplina e dividir o seu horário. Também tenho a sorte de namorar um ciclista, e um dá incentivo ao outro. Se não fosse por esta cumplicidade, ficaria muito difícil.
BB - Disciplina está ligada à resultados. Em 2009 você conquistou o título estadual de MTB XCO do RJ. Quais são as suas propostas da 2010?
MB - Eu comecei como brincadeira, mas fui melhorando a cada ano. Ano passado, comecei a treinar com planilhas do Cláudio Roberto "Caveira", de forma planejada e técnica. Em 2009 pedalei tranquila, pois com a ausência da Therezinha nas provas ficou mais fácil, mas neste ano temos a presença da Elis Regina, de Niterói, que pedala muito bem, além de outras meninas muito boas. No Big Biker de 2009 fiquei em primeiro lugar na minha categoria nas quatro etapas, e levei o título. Também fiquei em 1º lugar no X-Terra de Angra dos Reis. Ou seja, melhorei bastante. Em 2010 vou correr atrás de resultados.
BB - Como é seu controle mental nas provas?
MB - Eu ainda largo muito ansiosa e vou me acalmando aos poucos. Sempre acho que dá pra ir mais um pouco, e vou relaxando durante a prova. Um dos exemplos que sigo é do Eddie Merckx. Fico consciente que estou dando o melhor de mim, e sigo tranquila.
BB - Quanto a equipamentos, você tem aquela "neurose do peso baixo"?
MB - Não! (risos) Não tenho! Meu irmão pedala há muito tempo, e ele, junto com meu namorado, ficam discutindo por gramas! Gosto que o equipamento te dê segurança e funcionalidade. Não fico neurótica com peso leve. Acho que não adianta ter uma Ferrari e não saber pilotar! (risos)
BB - E o desenvolvimento do ciclismo no Brasil, você acha que está evoluindo?
MB - Não, principalmente no trânsito. Acho que deveria haver planos de educação permanentes, entre motoristas e ciclistas. Já tive vários problemas sérios com motorista de ônibus no Rio, onde quase fui atropelada. Falta respeito ao ciclista e cumprimento do Código de Trânsito. Penso que deveriam ser feitas campanhas dentro das empresas de ônibus e com motoristas de táxi e vans. Vemos que está sendo muito incentivado o uso da bicicleta como transporte, mas não há segurança para andar na rua. Já há um começo, mas ainda falta muito. A única solução será a educação. Quanto ao esporte, há grandes progressos com a nova federação do Rio, e uma maior abertura do governo para incentivar a prática esportiva. Mas vejo que é necessário que os ciclistas também se eduquem. Estamos no caminho certo, a passos de bebê, mas estamos indo.
BB - Pra finalizar, quais as palavras que você deixa para as meninas que estão relutantes para começar a pedalar ou praticar qualquer outro esporte?
MB - Acho que todas devem repensar quando acharem que não podem, ou que estão velhas demais para começar qualquer coisa, ou que não terão tempo. Eu comecei a pedalar aos 40 anos, e estou aí de igual para igual com as meninas mais novas. Tem que tentar. Não pode achar que não vai conseguir. Curta e vá numa boa,experimentando o lado bom da coisa. Aproveite, pois você irá conhecer muita gente bacana e lugares maravilhosos. Graças ao MTB eu conheci muitas cidades do interior lindas! Você passeia, vai a restaurantes gostosos, come uma truta, faz boas amizades, e está sempre incentivado a estar no meio desta turma. Acho que vão gostar porque estarão fazendo coisas novas e boas. Outra coisa bacana é que no MTB não há idade. Você vê pessoas mais idosas pedalando, e quando penso que vou ficar assim também, fico muito feliz! (risos) Depois que você começa, não pára mais! Espero estar aqui até os 150 anos!

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