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Dia Internacional da Mulher - Crônica:Vinho, água e pedais |
| Canal Penelope
/ Postado em 08/03/2010 às
11:34 por Hudson Malta |
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Crônica: Vinho, água e pedais
por Hudson Malta
Não dá. Simplesmente não dá. Nossos pedais estão chegando no limite do tolerável. Falar besteiras, cuspir no chão e provar a "macheza" a cada subida do percurso é bom, mas, sinceramente,nos falta sutileza, beleza e poesia. Apenas nos sobra odor e isotônicos. Então, cheguei à uma conclusão cinza e desanimadora como aquela chuva gelada que cai no meio da viagem: temos homens demais no ciclismo. E quando digo "ciclismo", quero me referir à todas as modalidades.
Um grupo de ciclistas é como um bando de lobos ensandecidos buscando diversão e tentando provar atitudes, como se fôssemos vários "machos-alfa", com testosterona saindo pelo ladrão, disputando supremacia nas ladeiras e sprints da vida. Talvez tenhamos chegado à isso pela falta de elementos femininos nos grupos, que, acredito, funcionam como "estabilizadores" do nossos excessos. Nos falta a graça, a harmonia, a fluidez... O que temos é apenas força, suor e truculência. Vamos imaginar os pedais como se fossem tonéis de uvas a serem pisadas para virar vinho. Vinho pronto, nos refastelamos aos amplos goles, em uma bebedeira que alimenta a quase insuportável espera pela próxima saída. Porém, não sentimos o seu sabor ou aroma. Nem mesmo vemos sua cor. Que sina, conseguimos transformar o vinho em água...
De forma contrária, é isso que o universo feminino possui: a plena capacidade de fazer com que coisas belas se tornem ainda mais belas, tanto equilibrando tensões conflitantes para que trabalhem juntas como trazendo importância para as coisas mais simples. Através desta capacidade mágica, se fazem presentes as percepções mais delicadas. O vinho continua vinho, e ainda melhora com o tempo!
Portanto, cheguei à minha conclusão de que nosso ciclismo é feio, abrutalhado, bobo e superficial, exatamente como nós, homens, somos. Não pisamos em uvas,e sim em... pedais!
Por mais que gostemos do nosso universo de força bruta, sempre nos faltará algo. E será o sabor, o aroma e a cor das coisas. De todas as coisas! Isso, meus caros, não conseguiremos alcançar com nossas poderosas máquinas de fibras sintéticas, metais leves e plásticos futuristas, movidas apenas pela determinação de seguir mais rápido e mais forte. Só dá para alcançar através da presença feminina e sua atenção à sensibilidade. Só dá para alcançar através do extremo oposto, para que possamos trilhar o tão sonhado equilíbrio, o tal "caminho do meio".
Sendo assim, faço um apelo às meninas do pedal: não nos deixem sós, pois não somos nada além de máquinas de socar pedais sem vocês. Nosso ciclismo carece do outro lado, pois a beleza desse esporte só encontra paridade com a beleza das suas coisas de meninas. E quando nos esquecermos de sentir as sutilezas dos pequenos detalhes, vocês estarão por perto para abrir nossa sensibilidade ao que realmente importa.
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Este texto é uma homenagem do BikeBros à todas as mulheres, ciclistas ou não, que deveriam ter o ano inteiro dedicado à sua força e sensibilidade, e não apenas um dia. |
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