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Entrevista: Willian Fabrício (Lagos MTB Cup) |
| Canal Entrevistas
/ Postado em 07/03/2010 às
23:00 por Redação BikeBros.com.br |
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Tivemos o prazer de fazer uma bela entrevista com Willian Fabrício, organizador da Lagos MTB Cup, e mostramos aqui, com exclusividade, os pensamentos deste ciclista que está trazendo "sangue novo" ao nosso querido esporte. Conheça um pouco mais sobre suas idéias e também sobre a Lagos MTB Cup 2010.
BIKEBROS - Willian, como você se envolveu com o MTB?
WILLIAN FABRÍCIO - Isso faz algum tempo, mais ou menos uns 6 anos. Eu era Judoca, vice campeão brasileiro 3 vezes (vice é horrível né... risos), mas não dava mais tempo para treinar Judô por causa dos horários fixos das academias e dos clubs, foi quando conheci uma galera que fazia corrida de aventura e me convidaram para prescrever o treino deles (como sou profissional de Educação Física, aceitei). Trabalhei com esses caras cerca de dois anos e nesse período acabei correndo duas etapas do Carioca Adventure, que acabamos sendo campeões em nossa categoria. Dessa forma comecei a treinar MTB XC, já que era uma modalidade que sempre tinha nas corridas de aventura e me apaixonei.
BB - Suas pistas são sempre elogiadas pelos competidores. Como são seus critérios para a escolha dos locais e como você consegue descobrir traçados tão "duros" e interessantes?
WF - Risos... Já fui chamado até de louco por causa desses percursos “duros” e interessantes. O critério principal é: eu gostar do percurso. Gosto quando vibro comigo mesmo quando termino, vejo visual do percurso e seu nível técnico. Na minha opinião um bom percurso é aquele que me desafia em todos os sentidos: técnica, força, resistência e psicológico.
Normalmente costumo a descobrir os percursos no Google Earth e depois vou lá pedalar e ver no que vai dar, muitas vezes acabo me perdendo e achando outros caminhos que não estavam nos planos e ai paro uma pessoa no meio da área rural e pergunto: “Aonde que isso aqui vai sair?”, e saio pedalando para o lugar. No circuito de Búzios um ciclista local de MTB andou comigo primeiro, fui para casa não muito satisfeito e abri o Google Earth. Tracei outro com base no que pedalei com ele, me perdi e descobri outras trilhas. Voltei para casa mais contente que antes.
BB - Sabemos que o esporte está evoluindo, mas a busca por patrocinadores sempre é difícil. Quais são as suas estratégias para localizar patrocinadores e vender um projeto?
WF - Nunca fui vendedor, nunca consegui vender nem um copo d´água no meio do deserto para um desesperado por água, mas decidi fazer os projetos e tinha que sair para vender. Minha primeira venda foi para a Secretaria de Turismo de Saquarema, estava tenso, nervoso... mas a palestra fluiu e foi um sucesso. Tenho certeza que a minha principal estratégia é vibrar com o produto que estou vendendo, porque quando saio para vender sei que eu dei tudo de mim na escolha de todos os detalhes. Sou detalhista e tento fazer uma boa apresentação do projeto. Já recebi várias vezes respostas negativas, mas também não deixei um empresário comprar uma cota maior porque ele não iria ter o retorno esperado, e acabei vendendo uma cota menor. Acho que temos que ser justos com os nossos clientes e saber o que realmente temos nas mãos.
BB - Sabemos da sua enorme preocupação com estrutura, suporte e segurança nas suas provas. Em 2009 nós conversamos um pouco, e você nos disse sobre a necessidade de aumentar a qualidade dos eventos no Rio. Quais são suas ações para atingir este objetivo?
WF - Bom, eu sempre penso em todos que vão no evento: Atletas, acompanhantes, curiosos e etc. Apresentei no ano passado (2009) um perfil de evento que muitos gostaram. Fazer as corridas sempre com uma estrutura de uma pousada, hotel-fazenda... percebi que isso trouxe segurança e conforto para praticamente todos que estavam no evento. Quando vou em corridas com a minha esposa ela sempre reclama de ficar sentada em uma praça da cidade com o sol torrando seus miolos sem ter nada para fazer. Então daí veio a idéia de fazer os eventos nessa estrutura. Escutar as criticas dos atletas e acompanhantes é uma das coisas mais importantes que existem para fazer o evento crescer; se você não atende os seus clientes eles ficam insatisfeitos e vão procurar outro produto. A Segurança nos eventos é o mais complicado para mim, isso porque coloco trechos com single track nas minhas provas de maratona, e se alguém se ferir dentro da mata é sempre mais difícil a sua remoção. Mas sempre me preocupo com a ambulância e tiro todos as certidões de "Nada a Opor" nos órgãos públicos para que Bombeiro, Defesa Civil e etc, fiquem ciente do evento e isso ajuda na hora de uma emergência.
Tenho certeza que não só eu como todos os outros organizadores estão no caminho certo (cada um com a sua característica) para que o ciclismo do RJ cresça, e para isso acontecer temos que fazer bons eventos em nosso estado.
BB - A Lagos MTB Cup caminha para ser uma marca forte em um futuro próximo, e podemos perceber que seus esforços não são pequenos. Como são os trabalhos e quais as maiores dificuldades para a organização de um projeto como esse?
WF - Não acho isso tudo da Lagos MTB Cup ainda, acho que é um bom evento e ponto. Tenho alguns apoiadores, patrocinadores e co-patrocinadores, este ano de 2010 tive ate mais ajuda por esse lado, mas ainda não foi o que eu gostaria. Isso faz com que o meu projeto perca um pouco o brilho, mas não posso deixar que ele perca a organização. A verba do projeto é para tudo que eu coloco no papel e como ainda não consegui vender 100% de nenhum dos meus projetos da Lagos a minha maior dificuldade é fechar o orçamento. Não tiro o meu salário dos patrocinadores e sim das inscrições dos atletas então não posso deixar a qualidade ser baixa, tenho que investir e acreditar que vai dar certo e futuramente chegar ao objetivo de qualquer pessoa que trabalha (ganhar seu salário e se realizar profissionalmente).
BB - Como você visualiza o resultado deste projeto daqui há algum tempo?
WF - Claro que penso o melhor, quero um bom patrocinador para que eu possa colocar todas as minhas idéias em pratica, isso seria bom demais. A Lagos MTB Cup tem muito o que crescer e ajudar muitos a crescerem junto com ela.
Visualizar o projeto daqui há alguns anos é difícil, não sou muito bom para pensar no futuro, penso muito no que está acontecendo agora com a Lagos. E o que eu posso dizer é que ela está crescendo, basta abrir o nosso site e ver as novidades, as novas cidades, as novas etapas, e claro, o novo site. Acho que não vai existir um resultado final, o que vai existir é um projeto em um crescimento sempre. Quando tiver um resultado final vai ser triste, porque entendo dessa forma que o projeto acabou. Vamos crescer! (Assim espero). Mas se você insistir no resultado final... daqui há algum tempo com muito trabalho vamos ajudar o MTB crescer.
BB - Quem faz parte da sua equipe de trabalho?
WF - Hoje a equipe direta da Lagos, ou melhor, da WOL Serviços e Eventos (empresa que organiza a Lagos MTB Cup) conta com oito pessoas. Eu (Willian Oliveira), minha esposa Tatiana Porto Silva (Financeiro), Gilvan Barros e Guilherme Studart (cuidam de outros projetos da WOL), Alberto Carvalho (responsável por tirar as certidões dos órgãos públicos para o evento ser autorizado), Deolindo Oliveira e Rodrigo Krawczuk (responsáveis pela publicidade dos eventos)... quase esqueci, o contador. Tirando o contador, todos se ajudam no dia do evento, cada um faz a sua parte que é pré-determinada. Contamos com a estrutura da FECIERJ - Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro, isso porque ainda não foi possível investir na nossa própria estrutura de prova.
BB - Ainda há organizadores de provas que seguem idéias antiquadas e conceitos descuidados em seus eventos, o que acaba resultando em provas inferiores e inexpressivas. Podemos notar que, entre eles, há pouquíssima ou nenhuma preocupação com o marketing pré e pós evento. Em 2010, com a evolução da Lagos MTB Cup, você nos mostrou que pretende seguir um caminho oposto. O que fez você chegar à esta decisão?
WF - Sempre soube que o marketing era importante, mas nunca pensei que fosse TANTO ASSIM. Acho que dei sorte nessa parte de encontrar ótimos profissionais (Deolindo Oliveira e Rodrigo Krawczuk). Toda parte de marketing vem deles, eu às vezes dou sugestões que eles acham interessantes ou não. Estamos aprendendo muito com esse publico alvo que é o ciclista de MTB e fazemos pesquisas em nossas provas para saber as suas necessidades para poder adicioná-las em nosso projeto e depois nos eventos. Um exemplo disso foi o aumento das categorias para 2010, a divulgação no site Bikebros e até publicação em revista que alguns atletas citavam em uma das pesquisas como uma revista que eles gostam de ler. O Marketing é importantíssimo e eu gostaria de investir mais nele.
BB - Vemos uma constante "reclamação" dos competidores quanto aos valores de premiação, além da tão questionada premiação na Categoria Feminina. Como organizador, o que você tem a dizer sobre isso? E como a Lagos MTB Cup pretende lidar com estas questões?
WF - Isso saiu em muitas respostas de uma pesquisa que fizemos em uma das etapas da Lagos em 2009, por isso para este ano aumentamos a premiação em dinheiro e inserimos este tipo de premiação para a categoria Feminina também. Gostaríamos de dividir as categorias Feminina por idade também, mas observamos pelos cadastros do ano passado que nenhuma categoria iria ter o pódio completo.
BB - A edição da Lagos Cup 2010 expandiu seu território, passando a ser realizada em outras cidades litorâneas do RJ que nunca haviam recebido uma prova de MTB. Pode nos dizer quais serão estas cidades e como serão as estruturas de recepção aos atletas?
WF - Além da já conhecida Saquarema, que foi a única cidade da Lagos MTB Cup em 2009, este ano temos também as cidade de Búzios e Araruama. A estrutura será a mesma, não queremos mudar esse padrão da Lagos e isso veio para ficar em todos os nosso eventos. Temos também as provas de dois dias, que serão no sábado e no domingo. Essas etapas Dual Day (estamos chamando assim) foram criadas para que um empresário local pudesse participar como co-patrocinador e deu certo, outro empresário gostou da idéia e comprou as cotas do sábado do Dual Day, dessa forma estes eventos se chamarão Desafio Cicle Star. Essas etapas serão na modalidade do Short Track e no Up Hill, será uma coisa nova na Lagos e algo que quase ninguém faz no RJ. Isso é bom para cidade, pois eventos de dois dias fazem com que os atletas e acompanhantes tenham um final de semana agradável em uma cidade da Região do Lagos, já que no dia seguinte temos mais uma prova, dessa vez valendo pontos para o Ranking Estadual (que é também uma novidade na Lagos Cup).
BB - E como serão as características das trilhas e terrenos, já que não é comum ver provas realizadas nesta parte do estado?
WF - Cada cidade da Região dos Lagos vai ter uma característica diferente... vamos pedalar por grandes serras, estradas de chão em diversos níveis de manutenção, single track, subidas rápidas, subidas travadas e descidas de tirar o fôlego. Quando resolvi fazer uma copa de MTB na Região dos Lagos muitos me falaram que todas as etapas seriam de estradões chatos. Será?
BB - Você acredita que o andamento do novo ciclismo do RJ contribuiu para a abertura destas novas "frentes" no esporte?
WF - Sim. Quando se tem pessoas sérias no comando, as coisas dão certo.
BB- Vemos uma crescente preferência do atleta por provas de XC Maratona. O que você acha que há neste formato que tanto atrai interesse?
WF - Eu pensava que era porque as provas de XCM eram só pedalar sem grandes níveis técnicos, mas eu fiz uma prova de XCM com um nível técnico alto e as pessoas gostaram. Acho que o atleta de XCM gosta do desafio, gosta de passar perrengue e ver se a prova vai vencê-lo ou ele vencer a prova (e neste caso "vencer a prova" não significa ganhar, mas sim terminá-la). Além disso, há o visual de paisagens que muitas vezes as provas de XCO não tem, o que leva as pessoas a preferirem maratonas.
BB - Recentemente, em Teresópolis, tivemos uma prova de XC Contrarrelógio, e todos os participantes aprovaram o formato. Percebemos que, em geral, o atleta gosta de formatos novos e experimentais. Você tem alguma coisa em mente para atender estes "anseios" dos pilotos?
WF - Sim, esse ano a Lagos vem com duas novas modalidade de MTB, o Up Hill e o Short Track. Estamos ansiosos para essas etapas para saber o que os atletas vão achar.
BB - Quais as palavras de incentivo que você diria aos nossos pilotos, para que compareçam em massa à Lagos Cup?
WF - A Lagos MTB Cup vai tirar o seu fôlego, quer você esteja treinado ou não!
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É isso aí, pessoal. A competência do Willian como organizador de provas de MTB está mais do que comprovada, de acordo com o que ele mostrou à todos em 2009. Podemos dizer, com segurança, que seu pensamento crítico e detalhista, além da sua prática do MTB, garantem a qualidade da Lagos MTB Cup. Temos certeza do crescimento da marca no futuro próximo, e convidamos a todos que presenciem seus eventos e concluam por si mesmos. Conforme o próprio Willian disse aí em cima, "quando se tem pessoas sérias no comando, as coisas dão certo". E ele está coberto de razão! |
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